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As mulheres pouco faladas nos mais de 100 anos da Bauhaus

Foto: Arquivo/Bauhaus

 

A renomada escola de design, artes e arquitetura de Bauhaus, fundada em 1919, foi idealizada como um lugar aberto a “qualquer pessoa de boa reputação, independente de idade ou sexo”, um espaço onde não haveria diferenças entre os gêneros. Porém, não foi muito assim.

A Escola de Arte Bauhaus inaugurada pelo arquiteto alemão Walter Gropius, iniciada na Alemanha (mais precisamente em Weimar), se manteve ativa de 1919 a 1933 e se tornou a instituição mais importante e influente do seu tipo. Foi uma das precursoras do movimento modernista.

Um pouco de curiosidade: A Bauhaus foi a primeira escola de design do mundo. Em alemão, era conhecida como “a casa para construir” ou “a casa da construção”, o que conduz a ideia de que o aprendizado e o objetivo da arte interligavam-se nesse espaço.

A escola foi uma das primeiras do mundo a aceitar pessoas do sexo feminino, que foram maioria na instituição em seu início em 1919, totalizando 84 mulheres e 79 homens. Apesar do método de ensino revolucionário e de ser precursora ao aceitar a matrícula de mulheres, essas não podiam ter acesso a todos os cursos disponíveis aos homens e eram encorajadas a limitar-se às aulas de têxteis. Arquitetura, pintura e escultura foram reservadas para eles, enquanto elas receberam outras disciplinas que não eram, na opinião do fundador, tão físicas.

Mas, porque isso? Segundo Walter Gropius, as mulheres não eram física e geneticamente qualificadas para determinadas artes porque pensavam em duas dimensões, em comparação com seus parceiros masculinos, que podiam pensar em três.

 

A artista têxtil Gunta Stölz (1897-1983) foi aluna, professora, mestre de atelier e a primeira diretora do atelier têxtil. Foto: Arquivo/Bauhaus

 

Essa masculinização da Bauhaus tornou-se mais evidente no início dos anos 1930, durante o período de Mies van der Rohe como diretor. Seus ensinamentos eram voltados principalmente para a arquitetura e a metalurgia, campo onde até então as mulheres eram proibidas.

Dentre as mulheres que mais se destacaram na escola, é possível citar nomes brilhantes como é o caso da mestra tecelã Gunta Stölz, designer têxtil e de moda Corona Krause, da artista e fotógrafa Kallin-Fischer, da designer têxtil Friedl Dicker, a tecelã Benita Koch-Otte, da arquiteta Lilly Reich, que por anos ajudou Van der Rohe em seus projetos, da designer Anni Albers, a primeira mulher a receber o diploma da Bauhaus, e da criadora de móveis e brinquedos infantis Alma Siedhoff-Buscher, uma das poucas a participar dos workshops de escultura.

As biografias das mulheres da Bauhaus sofreram uma profunda censura com o nazismo e com a proibição da profissão. Depois de 1945, somente poucas delas puderam continuar a carreira que tinham começado na década de 1920. Vale mencionar que o setor têxtil da escola foi um dos que mais se desenvolveu e suas metodologias de ensino serviram de referência para as demais áreas, graças à elas.

Nova Bauhaus Europeia

Conferência Europeia de Arquitetura debate a criação de nova Bauhaus com ideais sustentáveis. Fonte: Casa Vogue

 

Uma Bauhaus consciente para construir a nova revolução europeia. De acordo com a União Europeia na CEPA 2021  (Conferência Europeia de Políticas de Arquitetura), cidades e as casas do pós-covid têm de ser mais inclusivas, acessíveis, sustentáveis e econômicas, e o meio ambiente tem de ser mais protegido. Com essa perspectiva em mente e unindo à força da escola mais emblemática da modernidade, a União Europeia convocou designers, artistas, cientistas, arquitetos, urbanistas, planejadores, de todas as idades, a criar o futuro de forma colaborativa.

A Nova Bauhaus Europeia é uma iniciativa destinada a transformar o ambiente construído em algo mais sustentável e com maior valor social. É ao mesmo tempo um projeto ambiental, econômico e cultural e que contribui para o cumprimento do Pacto Verde Europeu. Levando o nome da influente escola, a iniciativa visa espalhar seu significado cultural e ampla influência, esforçando-se para “facilitar uma transformação social profunda, colaborativa e multidisciplinar”.

Ela se desdobra em três fases: Co-design, Entrega e Divulgação.

As fases operam parcialmente em paralelo, uma vez que indivíduos e comunidades interessadas nas primeiras ideias têm maior probabilidade de se tornarem parceiros para entregar e expandir a iniciativa. Ela vai se engajar desde o início, por meio de conversas abertas, para moldar o conceito em um grande processo de cocriação.

 

Quer saber um pouco mais sobre a Escola de Bauhaus? Separamos aqui um video que resume bem essa história!

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Fonte: UOL Arch Daily Gazeta do Povo Casa Vogue Toda Matéria Cultura Genial Follow the Colours DW Novo Perfil European Union

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